Histórico

Histórico

O GAPIS, registrado oficialmente em 2005 na Plataforma Lattes/CNPq (inicialmente vinculado ao Programa Eicos de Pós Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social/IP/UFRJ e, atualmente também associado ao Instituto Nacional de Ciencia e Tecnologia em Políticas Públicas e Estratégias de Desenvolvimento do CNPq) resulta de um esforço de pesquisa e extensão universitária nas temáticas de desenvolvimento e conservação da biodiversidade, iniciado a partir de uma experiência anterior, em investigação acadêmica e participação em projetos nacionais e internacionais, vinculados à formulação, implementação e avaliação de políticas públicas com este enfoque e áreas afins de conhecimento.

Esta experiência envolveu participação em projetos nacionais e internacionais em diversas regiões do país e da América Latina e a inserção em iniciativas de políticas públicas setoriais afins, além de inúmeras publicações acadêmicas sobre o tema.

Desde então, os pesquisadores do Grupo de pesquisa vêm trabalhando em diversos projetos, construindo inúmeras parcerias com o setor público e demais representações da sociedade para promover não apenas a geração de conhecimento sobre o tema, mas também a sua democratização em escala mais ampla.

Em 2000, foi defendida a primeira dissertação com a identidade do Grupo, tendo origem o Projeto Sana Sustentável (desenvolvido entre 2000 a 2004). Este surgiu de uma demanda interna do próprio corpo discente da Universidade Federal do Rio de Janeiro e contou com o apoio da FAPERJ. Estabeleceu como objetivo, em conjunto com as instituições do Distrito de Sana (Município de Macaé, no Rio de Janeiro), a práxis acadêmica no planejamento e desenvolvimento de projetos locais, tendo como foco a gestão participativa da biodiversidade regional e o turismo inclusivo. Tal projeto partiu de uma demanda local e envolveu, além da reflexão acadêmica em termos de pesquisa, diversas atividades de extensão na área e o engajamento dos pesquisadores com a dinâmica sócio-econômica e política da região.

No âmbito deste projeto foi realizado o Diagnóstico Sócio-Ambiental do Sana, que consistiu no mapeamento de problemas e expectativas da comunidade local, diversos seminários sobre turismo e a questão ambiental, um Plano de Ação Comunitário e as “Regras Comunitárias para o Turista que visita o Sana”, além de uma Matriz Qualificada e Participativa sobre os Atrativos Turísticos. Toda a documentação produzida no projeto, foi então publicada em veículos científicos, assim como traduzida para a difusão junto à própria população local.

Com o apoio da FAPERJ, foram desenvolvidas também duas pesquisas:
a) percepção ambiental e turística da comunidade do Sana;
b) percepção ambiental e turística dos turistas que visitam o Sana.

Desde então, o GAPIS vem se consolidando na esfera acadêmica, bem como nas parcerias com os distintos segmentos da sociedade para a elaboração e avaliação de projetos de pesquisa teórica e aplicada.

Estas parcerias tem sido o resultado histórico de formação de redes de pesquisa e cooperação com os diferentes segmentos sociais, o que tende a inserir o GAPIS em diversos tipos de discussão e projetos e também em políticas públicas, conferindo também às pesquisas em curso, um grande alcance, inserção social e reconhecimento por parte dos parceiros, além da consolidação de redes interdisciplinares e intersetoriais. Tal contexto tem contribuído para uma demanda progressiva e crescente destes temas de pesquisa em programas de pós graduação, o que tem impactado positivamente a procura pela pós-graduação e as sinergias interinstitucionais, numa perspectiva sistemática e de longo prazo, que tende a reforçar a qualidade e o alcance interdisciplinar do Grupo.

A temática de pesquisa, vinculada às relações natureza e sociedade e à reflexão entre desenvolvimento, conservação da biodiversidade e inclusão social, tem se configurado, desde então, como estratégica no plano da pesquisa, mas também com relação à inserção do Grupo na temática de políticas públicas. Neste sentido, a prática interdisciplinar tem sido reconhecida como essencial para a reflexão sobre os processos subjetivos vinculados a este tema e também ao desenvolvimento de tecnologia social e construção de novos arcabouços metodológicos para a pesquisa. Isto tem aproximado o Grupo de pesquisa, em particular, da gestão pública e da sociedade civil organizada, fator que tem demandado uma participação constante da equipe em eventos e projetos de parceria (notadamente com o IBAMA, ICMBIO, Ministério de Meio Ambiente e Ministério de Turismo na esfera governamental), conselhos e fóruns diversos e iniciativas de formação de recursos humanos no âmbito da gestão pública e eventos de pesquisa e difusão científica, em níveis nacional e internacional.

Entre 2007 e 2009 foram aprovados pela FAPERJ, em parceria com o Instituto Estadual de Florestas do Rio de Janeiro (atual INEA), os Projetos Observatório de Áreas Protegidas do Rio de Janeiro e Gestão Participativa de Áreas Protegidas, com ênfase na gestão de parques estaduais, envolvendo o Programa de Pós Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) do IFCS, a Faculdade de Educação da UFRJ e o CEFET de Campos. O projeto Observatório gerou diversos relatórios técnicos, um livro (“Parques do Rio de Janeiro”), um site (www.gapis.psicologia.ufrj.br/observatorioaps), um vídeo (“Se Conselho fosse bom...”) e diversos seminários de discussão e difusão de pesquisa junto aos gestores públicos e ONGs do Estado do Rio de Janeiro. Tais projetos permitiram o fortalecimento do Grupo, em termos de logística e infraestrutura e geraram resultados fundamentais em termos de consolidação das redes de pesquisa e extensão, como já citado.

Em 2008, o Grupo passou também a incorporar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas e Estratégias de Desenvolvimento, em resposta a um edital do CNPq com o objetivo de fortalecer a ação de pesquisa em rede para temas estratégicos.

No plano intrainstitucional, continua em curso, uma parceria permanente com o Instituto Virtual de Turismo/ Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social da COPPE, que tem gerado sistematicamente a organização de eventos e publicações conjuntas. Da mesma forma, este engajamento envolve o Programa de Pós Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) do IFCS e, a Faculdade de Educação, junto aos quais, temos desenvolvido cursos de pós graduação em parceria e eventos, orientações e projetos conjuntos de pesquisa, desde 2006. Também com a Engenharia de Produção da COPPE foram ministradas disciplinas em cursos de extensão e especialização, em Arraial do Cabo, realizados pelo “Projeto Ressurgência”, financiado pelo Petrobrás Ambiental.

No plano das universidades e Institutos de Pesquisa do Rio de Janeiro, as parcerias para a pesquisa têm continuado com os Departamentos de Geografia, de Psicologia e de Antropologia da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), com os Programas de Pós Graduação em Meio Ambiente e Florestas e o CPDA (Centro de Pesquisas de Desenvolvimento Agrário) da  UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), com os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) do Rio de Janeiro, com o Curso de Pós Graduação em Ciência Ambiental da UFF (Universidade Federal Fluminense), com os Cursos de Turismo da UFF, da UFRRJ e da UNIRIO. Da mesma forma, atualmente o Grupo está vinculado à equipe de coordenação do Curso de Especialização em Gestão da Biodiversidade do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Estas parcerias têm permitido intercâmbios freqüentes para a formação de bancas de mestrado e doutorado, publicações conjuntas, organização de eventos científicos e de difusão de conhecimento acadêmico, co-orientações de dissertação de mestrado e teses de doutorado e desenvolvimento de projetos interdisciplinares.

Na esfera nacional, importantes parcerias para a pesquisa e formação estão em curso com o CDS/UNB, com o Departamento de Geografia da UFAM, com o Curso de Antropologia da UFPA, com a ESCAS/ Ilhéus (BA) e com os cursos de turismo da UFMG e da UFJF. Estas parcerias têm contribuído para a formação integrada e interdisciplinar da pós-graduação e à consolidação de redes nacionais de pesquisa.

Como exemplos das parcerias e seus desdobramentos, em 2005 e 2006, respectivamente, foram coordenados e realizados pelo GAPIS, na UFRJ, os I e II Seminários sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (SAPIS). Nos anos subseqüentes, este evento que se tornou referência nacional, passou a ser efetivado através de parcerias com outras universidades públicas também em outras regiões do país (em 2007 com a UFRRJ e, em 2009, com a UFPA). O IV SAPIS contou com aproximadamente 300 participantes de todas as regiões do país e de alguns países da América Latina, envolvendo representações da academia, das instituições governamentais, do setor privado e da sociedade, em geral. Nesta parceria tem sido também editados os anais do seminário, coordenados pelas diversas instituições envolvidas. Também na perspectiva de ampliação deste processo, está em curso a negociação com a Universidade Federal do Amazonas para a realização do V SAPIS, em Manaus, em novembro de 2011, envolvendo uma rede de universidades federais e órgãos públicos, o que tenderá a ampliar ainda mais o alcance da rede, em nível nacional.

Também, em fins de 2007, foi iniciada uma pesquisa conjunta entre nossa equipe e a UNIRIO, no tema “Percepções sobre o Rio de Janeiro e o Corcovado” envolvendo alunos de graduação e pós-graduação das duas instituições. Na configuração desta pesquisa, foi também articulada a parceria com a empresa Trem do Corcovado, o que ilustra a possibilidade de cooperação entre diferentes universidades e também destas com o setor privado para a realização de pesquisas de interesse comum na área social. Esta pesquisa encontra-se em fase de sistematização final e dará origem a três artigos científicos em revistas especializadas.

Em nível nacional, uma parceria acadêmica mais sistemática se desenvolve também com o Centro de Desenvolvimento Sustentável da UNB, com a qual há um intercambio regular em termos de participação em bancas de teses, co-orientação de doutorado, entre outras atividades. No momento, esta parceria está mobilizada para a organização conjunta do livro “Turismo, Áreas Protegidas e Inclusão Social”, em fase de edição para lançamento em 2011.

No âmbito de parcerias em apoio às políticas públicas, o Grupo de pesquisa tem trabalhado, desde 2004, em intercâmbio permanente com a Diretoria de Áreas Protegidas do Ministério de Meio Ambiente. Esta parceria se traduziu em apoio formal à realização dos II, III e IV SAPIS (Seminário de Áreas Protegidas e Inclusão Social) e envolveu também a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) nesta articulação. O trabalho continua também em termos de assessoria técnica às bases da cooperação França-Brasil para a gestão da biodiversidade e inclusão social na área de fronteira amazônica (desdobramento do Projeto de Pós Doutoramento iniciado em 2004, na França). Uma parceria com a gestão pública, em esfera federal, foi também iniciada com o Ministério do Turismo, no período, para o desenvolvimento de ações conjuntas com relação ao tema “Áreas protegidas, Turismo e Inclusão Social” e com relação aos denominados “Projetos de Turismo de Base Comunitária”. Neste contexto, o Grupo colaborou também no processo de seleção de projetos de turismo comunitário, em resposta a um edital nacional.

No que concerne à gestão pública, uma importante articulação foi iniciada em 2007 com o Instituto Estadual de Florestas do Rio de Janeiro (IEF), a partir do Projeto “Observatório de Àreas Protegidas do Rio de Janeiro”. Neste contexto, foi aprovado um convênio entre a UFRJ e o IEF, que tenderá a reforçar institucionalmente esta parceria, no futuro. O Grupo de pesquisa foi também convidado a participar da Rede da Fundação Bioatlântica para a consolidação de um documento sobre “Prioridades de Conservação da Biodiversidade do Rio de Janeiro”, publicação lançada em 2008. Da mesma forma, esta participação junto à sociedade tem sido sistemática, na prática de reuniões técnicas em parceria e/ou assessoria técnica.

Com relação às políticas públicas de proteção da natureza, o Grupo de pesquisa tem representação também nos Conselhos Consultivos da ARIE Floresta da Cicuta (ICMbio/Rio de Janeiro), do Mosaico Central Fluminense, do Parque Estadual dos Três Picos e do Parque Estadual da Ilha Grande.

Desde 2007 o GAPIS coordena, em conjunto com o IVT/COPPE/UFRJ, a UFRRJ, o CEFET-R.J e a UFPA, a Rede de Áreas Protegidas e Inclusão Social, envolvendo instituições de pesquisa, órgãos públicos e ONGs do Brasil e da América Latina. Em 2010, a Rede coordenou um evento nacional e, em 2011 deverá lançar um livro, um site e coordenar mais um evento nacional em Manaus e um programa de extensão temática.

No âmbito da Cooperação Internacional, desde 2000 foi consolidada a parceria acadêmica com o Departamento de Geografia da Universidade de Santiago da Compostela (Espanha) e, a partir de 2004, com o Museu Nacional de História Natural (Departamentos “Hommes, Nature et Societés” e “Écologie et Gestion de la Biodiversité”). Estas parcerias foram fortalecidas a partir do Pós Doutorado, realizado pela pesquisadora coordenadora do GAPIS na França, entre maio de 2004 e junho de 2005, com apoio da CAPES. Diversos desdobramentos tem resultado também dessas parcerias, como o intercâmbio de professores e alunos, co-orientações de doutorado e publicações. No bojo desta cooperação, estão em curso duas teses de doutorado em co-orientação, envolvendo alunos dos dois países. Em 2008, como resultado do processo, foi assinado um convênio entre o MNHN e a UFRJ e, em 2009, foi realizado, em conjunto, o Workshop Franco-Brasileiro “Biodiversidade em Questão”, na UFRJ, no âmbito do calendário oficial do ano da França no Brasil, com apoio oficial da CAPES e do CNPq.

A partir de 2005, ocorreu também o fortalecimento da cooperação do GAPIS com o Laboratório de Informática de Paris (LIP 6) e com o Departamento de Informática da PUC-RJ, para o desenvolvimento do Projeto de Pesquisa, intitulado “SIMPARC, Simulation Participative MultiAgent pour la Gestion des Parcs Nationaux”, sob a coordenação de Jean Pierre Briot e com apoio do Projet ARCUS (Action em Region pour Cooperation Unniversitaire et Scientifique). Este projeto tem o objetivo de desenvolvimento de tecnologia social com o uso de informática em apoio à gestão participativa de parques nacionais, envolve uma equipe interdisciplinar de pesquisadores e estudantes de pós-graduação franco-brasileira. Este projeto tem gerado diversos seminários internacionais de pesquisa e a possibilidade de intercâmbio permanente entre professores e alunos do Brasil e da França e a publicação conjunta, em diversos eventos nacionais e internacionais. Em outubro de 2008 foi realizado o evento “SIMPARC: Participatory methodologies for park management” no âmbito do Congresso Mundial da IUCN, em Barcelona. A partir de dezembro de 2007, como parte integrante de um projeto coordenado pela PUC-Rio, no Edital “Desafios para a Informática”, o Projeto SIMPARC passou a receber também apoio formal do CNPq. O primeiro protótipo de jogo pedagógico desenvolvido por este projeto será concluído e apresentado oficialmente em dezembro de 2010, no Seminário do “Projeto Observatório”.

O alcance internacional dos projetos de pesquisa em curso, foi reforçado ainda com a submissão e aceitação de três eventos coordenados pelo GAPIS no Fórum Mundial de Conservação da Natureza da IUCN, em Barcelona, em outubro de 2008 sobre os temas: “Governança e Inclusão Social”, “Rede Sul Americana de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social” e “Metodologias Participativas para a Gestão da Biodiversidade.

Com este histórico, convidamos vocês a conhecer um pouco mais do GAPIS no site e nas leituras de publicações que esperamos compartilhar e com eles provocar novas reflexões.